Ácido bempedoico na dislipidemia: evidência clínica, considerações económicas e papel terapêutico atual

  • Ângela Martins
  • Margarida Marinho Alves

Resumen

Introdução: A dislipidemia constitui um dos principais fatores de risco modificáveis para a doença cardiovascular aterosclerótica, sendo o colesterol LDL (LDL-C) um alvo terapêutico central na prevenção cardiovascular. Apesar da eficácia das terapêuticas hipolipemiantes disponíveis, muitos doentes permanecem acima dos objetivos terapêuticos recomendados, sobretudo em contextos de risco cardiovascular elevado ou intolerância às estatinas. Método: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura mediante pesquisa nas bases de dados PubMed, ScienceDirect e SciELO. A seleção bibliográfica privilegiou recomendações internacionais, ensaios clínicos, revisões e documentos regulamentares relacionados com o ácido bempedoico e a terapêutica da dislipidemia, sendo ainda incluídos dados sobre a disponibilidade e os custos dos fármacos em Portugal. Resultados: O ácido bempedoico é um fármaco oral que inibe a ATP-citrato liase, reduzindo a síntese hepática de colesterol e promovendo maior expressão dos recetores de LDL nos hepatócitos. A sua ativação predominantemente hepática confere interesse particular em doentes com limitação à utilização de estatinas. Os ensaios clínicos demonstraram reduções consistentes do LDL-C, geralmente entre 15% e 25%, com reduções superiores quando associado à ezetimiba. O estudo CLEAR Outcomes demonstrou redução de eventos cardiovasculares adversos major (MACE) em doentes intole- rantes às estatinas e com doença cardiovascular estabelecida ou alto risco cardiovascular. Discussão: O ácido bempedoico representa uma opção terapêutica relevante para doentes que necessitam de uma redução adicional do LDL-C ou que apresentam intolerância às estatinas. A sua administração por via oral, o mecanismo de ação complementar e a demonstração de benefício cardiovascular tornam-no uma alternativa importante na individualização da terapêutica hipolipemiante. No entanto, o seu posicionamento deverá ser definido de acordo com o perfil de risco cardiovascular, os objetivos terapêuticos e as características de cada doente. Conclusão: O ácido bempedoico ocupa uma posição intermédia na abordagem da dislipidemia, contribuindo para individualizar o tratamento e reduzir uma lacuna terapêutica ainda presente na prática clínica, não substituindo as estatinas nem as restantes terapêuticas.
Palavras-chave: ácido bempedoico, dislipidemia, LDL-C, estatinas, risco cardiovascular.

Publicado
2026-07-31