Sequência Terapêutica no Carcinoma Colorretal: Racional Farmacológico para a Administração de Citotóxicos e Anticorpos Monoclonais
Resumo
A composição dos protocolos terapêuticos utilizados no tratamento do carcinoma colorretal encontra-se amplamente padronizada. Contudo, a ordem de administração dos diferentes agentes dentro de cada ciclo permanece frequentemente definida por convenções históricas, limitações operacionais ou racional farmacológico incompletamente caracterizado. Esta revisão narrativa teve como objetivo analisar criticamente a evidência farmacológica, translacional e clínica relativa à ordem de administração de agentes citotóxicos e terapias dirigidas em protocolos utilizados no carcinoma colorretal. Foi realizada revisão narrativa da literatura incidindo sobre protocolos terapêuticos correntemente utilizados, incluindo DeGramont, FOLFOX, FOLFIRI, FOLFOXIRI e combinações com bevacizumab, cetuximab e panitumumab. A evidência disponível sugere que a relevância da sequência terapêutica não é uniforme entre protocolos. Nos esquemas FOLFIRI e FOLFOXIRI, a ordem de administração aparenta ser sustentada por racional farmacodinâmico mais consistente, influenciando potencialmente a eficácia e a tolerabilidade. Em contraste, protocolos como DeGramont e FOLFOX parecem ser adicionalmente condicionados por fatores farmacotécnicos e compatibilidade físico-química. Entre as terapias dirigidas, a programação sequencial bevacizumab–quimioterapia constitui hipótese farmacologicamente plausível, enquanto a evidência relativa a anticorpos anti-EGFR permanece limitada. A ordem de administração deverá ser considerada uma variável potencialmente relevante na otimização terapêutica, não dependendo exclusivamente de interações farmacodinâmicas, mas também de limitações farmacotécnicas, segurança infusional e constrangimentos operacionais. Estudos prospetivos dedicados são necessários para clarificar o impacto clínico de estratégias alternativas de sequenciação.
Palavras-chave: protocolo terapêutico, administração sequencial, citotóxicos, anticorpo monoclonal, cancro do cólon.
