Efetividade das Terapêuticas Biológicas na Asma Grave: Evidência de Prática Clínica Real numa Unidade Local de Saúde Portuguesa
Resumen
Introdução: A asma grave constitui uma forma complexa da doença respiratória, associada a exacerbações recorrentes, utilização frequente de recursos de saúde e diminuição da qualidade de vida. O desenvolvimento de terapêuticas biológicas dirigidas à inflamação tipo 2 permitiu melhorar o controlo clínico destes doentes. Objetivo: Avaliar a efetividade clínica das terapêuticas biológicas em doentes com asma grave acompanhados numa consulta especializada de Pneumologia. Métodos: Estudo observacional, retrospetivo e longitudinal, baseado na análise de registos clínicos eletrónicos de doentes com asma grave submetidos a terapêutica biológica. Foram comparados os 12 meses anteriores ao início do tratamento biológico com os 12 meses subsequentes. Foram avaliados ACT, CARAT, FEV1, FeNO, exacerbações, episódios de urgência, internamentos e presença de pólipos nasais. Resultados: Foram incluídos 40 doentes, com idade média de 55,9 anos, sendo 77,5% do sexo feminino. Após introdução da terapêutica biológica verificou-se melhoria significativa do ACT (8,55±3,99 vs 22,88±3,43; p<0,001) e do CARAT (8,35±4,26 vs 25,25±5,97; p<0,001). O número médio de exacerbações reduziu-se de 4,68 para 0,33 episódios/ano (p<0,001). As idas ao serviço de urgência diminuíram de 2,23 para 0,05 episódios (p<0,001) e os internamentos de 0,70 para 0,03 episódios (p<0,001). O FEV1 aumentou de 65,1% para 76,8% do previsto (p<0,001) e os níveis de FeNO diminuíram de 51,62 para 22,71 ppb (p<0,001). A prevalência de pólipos nasais reduziu-se de 52,5% para 15,0% (p<0,001). Conclusão: As terapêuticas biológicas demonstraram elevada efetividade clínica em contexto de prática clínica real, associando-se a melhorias significativas do controlo da doença, da função pulmonar e dos biomarcadores inflamatórios.
Palavras-chave: asma grave, terapêuticas biológicas, efetividade clínica, FEV1, FeNO, ACT.
