As bases farmacológicas dos cuidados farmacêuticos: o caso dos AINEs

  • M.M. Castel-Branco Grupo de Farmacologia e Cuidados Farmacêuticos, Faculdade de Farmácia, Universidade de Coimbra, Portugal. Centro de Estudos Farmacêuticos (CEF), Faculdade de Farmácia, Universidade de Coimbra, Portugal.
  • A.T. Santos Grupo de Farmacologia e Cuidados Farmacêuticos, Faculdade de Farmácia, Universidade de Coimbra, Portugal.
  • Carvalho R.M. USF Topázio, ARS do Centro, Portugal.
  • Maria M. Caramona Grupo de Farmacologia e Cuidados Farmacêuticos, Faculdade de Farmácia, Universidade de Coimbra, Portugal. Centro de Estudos Farmacêuticos (CEF), Faculdade de Farmácia, Universidade de Coimbra, Portugal.
  • L.M. Santiago USF Topázio, ARS do Centro, Portugal. Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, Portugal.
  • Fernando Fernandez-Llimos Departamento de Sócio-Farmácia, Faculdade de Farmácia, Universidade de Lisboa, Portugal. - Research Institute for Medicines and Pharmaceutical Sciences (iMed.UL), Faculdade de Farmácia, Universidade de Lisboa, Portugal.
  • I.V. Figueiredo Grupo de Farmacologia e Cuidados Farmacêuticos, Faculdade de Farmácia, Universidade de Coimbra, Portugal.

Resumen

A polimedicação aumenta o risco de reações adversas, interações e uso incorreto dos medicamentos. Nos idosos é bastante prevalente, potenciando ainda mais os problemas relacionados com os medicamentos, uma vez que estes também resultam das alterações fisiológicas e multimorbilidades do envelhecimento. Sabendo que os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são fármacos muito usados pelos idosos, foram objetivos deste trabalho caracterizar potenciais interações entre AINEs prescritos e a restante medicação em idosos e criar uma lista de recomendações relacionadas com a monitorização destes doentes, de modo a evitar ou detetar precocemente tais interações.

Análise retrospetiva dos dados referentes à medicação prescrita de uma amostra de idosos de uma Unidade de Cuidados de Saúde Primários (Centro de Saúde de Eiras, Coimbra, Portugal) presentes numa consulta médica entre 2 e 16 de janeiro de 2012.

Foram revistos os regimes farmacoterapêuticos de 29 doentes a tomar pelo menos 1 AINE, cerca de 3 meses antes da recolha de dados, num total de 37 AINEs prescritos. Foram encontradas 123 interações moderadas e 2 minor. As principais interações ocorreram entre AINEs e diuréticos (17,6%), antagonistas dos recetores da angiotensina (14,4%), bloqueadores da entrada do cálcio (12,0%) e inibidores da enzima de conversão da angiotensina (8,8%). A prevalência de interações entre AINEs foi de 12,8%. Elaborou-se uma lista de recomendações para monitorização dos doentes quando não se podem evitar as ditas interações. Estas interações devem ser tidas em conta no momento da prescrição e cedência de AINEs, pois podem desencadear efeitos negativos tais como alterações renais e aumento da pressão arterial.

O farmacêutico pode desenvolver um papel relevante em serviços como a revisão da medicação, para identificar estas interações potenciais, ou no acompanhamento farmacoterapêutico, na gestão destas situações quando devidamente identificadas. Salienta-se a importância da interação positiva com a Medicina Geral e Familiar para a segurança e a eficiência das terapêuticas. 

Citas

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