Micotoxinas em Portugal: Ocorrência e Toxicidade

  • Vânia L. Pereira REQUIMTE, Laboratório de Bromatologia e Hidrologia, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Portugal. Farmacêutica, Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, Bolseira de Investigação, REQUIMTE, Laboratório de Bromatologia e Hidrologia, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Portugal.
  • José O. Fernandes REQUIMTE, Laboratório de Bromatologia e Hidrologia, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Portugal. Professor Auxiliar, Responsável pelo Laboratório de Bromatologia e Hidrologia, REQUIMTE, Laboratório de Bromatologia e Hidrologia, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Portugal.
  • Sara C. Cunha REQUIMTE, Laboratório de Bromatologia e Hidrologia, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Portugal. Investigadora Auxiliar, REQUIMTE, Laboratório de Bromatologia e Hidrologia, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Portugal.
Palavras-chave: micotoxinas, contaminação alimentar, saúde pública, tricotecenos, aflatoxinas.

Resumo

A contaminação de alimentos e de rações representa um dos principais problemas de segurança alimentar devido às suas implicações na saúde humana. De entre os diferentes contaminantes de origem natural que podem aparecer nos alimentos, o grupo das micotoxinas tem vindo a ganhar especial relevância nos últimos anos devido aos efeitos nefastos que a sua presença pode provocar. As micotoxinas correspondem a importantes metabolitos secundários produzidos por vários fungos, pertencentes maioritariamente aos géneros Fusarium, Aspergillus e Penicillium, que podem ocorrer numa vasta gama de produtos alimentares com elevada importância, particularmente em cereais e derivados, especiarias, frutos secos, vinho, café, etc. Actualmente, estão já identificadas algumas centenas de micotoxinas, sendo as mais importantes, devido à sua elevada ocorrência e toxicidade, as Aflatoxinas, os Tricotecenos, as Ocratoxinas, a Zearalenona e seus metabolitos e as Fumonisinas. Estas toxinas são responsáveis por uma grande variedade de efeitos tóxicos agudos e crónicos, como carcinogenicidade, neurotoxicidade, toxicidade reprodutiva e atrasos no desenvolvimento. A sua presença nas culturas apresenta, ademais, um forte impacto económico a nível mundial, dada a elevada percentagem de colheitas perdidas.

São vários os trabalhos realizados que revelam uma significativa contaminação de várias matrizes alimentares com micotoxinas, por vezes excedendo os limites estabelecidos pela legislação comunitária. Trata- se de um problema de saúde pública que exige uma monitorização eficaz da sua presença e a adoção de medidas que impeçam a entrada desses alimentos no circuito comercial. 

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